8 de agosto de 2011

COMO CHEGAR? OS MEIOS DE TRANSPORTE


TAXIS

Os taxis são a melhor forma de transporte nas cidades. Em La Paz, por exemplo, subir uma ladeira sem fim pode ser evitado por menos de 1 real. Não hesite em utilizá-los. Chore sempre uns 5 ou 10 bolivianos a menos, dependendo do trecho. Mas não barganhe muito, os bolivianos não vão te explorar, mas não vão cobrar um preço abaixo do que eles normalmente cobram a bolivianos. A barganha requer bom senso. E bom senso o boliviano me parece ter de sobra. Na verdade o que sempre está em questão são 1 ou 3 reais. 

Em La Paz, eu peguei dois taxistas que foram TÃO simpáticos que não tive coragem de pagar o preço de barganha, e acabei pagando o preço inicial. Isso é, paguei  4 Reais ao invés de R$3. Essas pequenas coisas fazem bastante diferença no dia do taxista, e no nosso também! 



TRASLADOS AEROPORTO- HOTEL- AEROPORTO


SANTA CRUZ

O trecho Santa Cruz – Samaipata me custou 200 bolivianos pelo telefone e 250 na hora. O equivalente a 55 reais. O taxi foi me buscar às 2 da manhã e me transportou em um trecho com mais de 130km. Barato para o Brasil, mas caro pra Santa Cruz.
Em horário comercial, é possível fazer o trecho por 30 Bolivianos, ou menos de 10 reais. O problema é que a Gol só tem 1 vôo diário para a Bolívia, que chega em Santa Cruz às 2 da matina. Não tem pra onde correr.

Se quiser ficar na cidade de Santa Cruz, um taxi até o centro sai por 60 bolivianos, ou 15 reais. É muito mais cara que o resto da Bolivia. Um hotel muito bom (LP hotel) no centro sai por 80 reais o quarto, ou 40 reais, se forem 2 pessoas.

LA PAZ

O traslados de La Paz até o centro (cemitério e principais hotéis) a gente fez utilizando um microônibus. 3,5 bolivianos por pessoa e mais 3,5 pela mala. Valor total do transfer: 11.50 bolivianos ou menos de 2 reais por pessoa.

SUCRE

O traslado Sucre Aeroporto – hotéis no centro fizemos de taxi e custa entre 35 e 30 bolivianos. Pra duas pessoas, saiu a menos de 4 reais pra cada.

UYUNI
O traslado hotel aeroporto em Uyuni é mais complicado e as distâncias foram maiores (23km). Pagamos 100 bolivianos, ou 24 reais por pessoa.


Não há outras formas de transporte.


SORATA

Ao desembarcar na praça central, vá para o melhor hotel, o Altai Oasis (40 reais a diária). O taxi custa 15 bolivianos, ou um pouco mais de 3 reais. Se forem 2 pessoas, sai R$1.50 pra cada



AVIÃO

Os preços dos bilhetes aéreos na Bolívia são tabelados pelo governo de forma fixa. Não obedecem a demanda, como ocorre no Brasil. Na prática, comprar a passagem 1 dia ou 3 meses antes não faz diferença por lá. A única diferença é que se garante o assento dessa forma.

A AEROSUR é a maior empresa aérea boliviana. É estatal. Ela é a única “grande” empresa que realiza os trechos entre as principais cidades.

A BOA é outra empresa que não conhecemos, mas dizem que faz bem o serviço. Liga as principais cidades com a cidades médias, menos conhecidas.
A TAM (Transportes Aéreos Bolivianos- não confunda, não é brasileira) é uma empresa menor que liga, por exemplo, o trecho de La Paz a Uyuni.



TRECHOS DE AVIÃO DA VIAGEM

SANTA CRUZ – LA PAZ

Cerca de 90 reais pela AEROSUR. Altamente recomendado. Não vá pelo Google maps. Uma distância curta no mapa pode durar mais de 10 horas. Não se esqueça que a Bolívia é extremamente montanhosa...

LA PAZ – UYUNI

Não fomos de avião, mas eu recomendo. Custa 170 reais pela Amaszonas. O aeroporto de Uyuni foi recém-inaugurado.

O meio mais utilizado atualmente é um ônibus semi-leito (padrão semi-leito brasileiro) que viaja mais de 12 horas durante a noite.
A rodoviária é CAÓTICA. Existe uma alta chance de furtarem sua bagagem. Quando fizemos o paragliding, uma das australianas nos contou que roubaram a mochila dela nesse trecho, com passaporte e tudo. PROBLEMA...

A minha mala não havia sido etiquetada. Eu precisei chamar o responsável pela coordenação das saídas para abrirem o porta-malas e etiquetarem minha mala. Eu senti no olhar do cara que guardava as malas que eu estava sendo escolhido para ser furtado. Com muita insistência, colocaram as etiquetas. Fiquei preocupado e atento a todo momento. Foi o trecho em que mais fiquei aflito em toda a viagem. Portanto, se você quiser economizar, vá de ônibus, mas prepare-se para chegar cansado (pense em uma viagem de 15 horas em um ônibus no Brasil, mas com estradas piores) e cuide bem da sua bagagem.
O trecho custou 25 dólares.

O trecho aéreo chega em Uyuni em 1 hora e custa 100 dólares. Se puder pegar esse trecho, eu recomendo, pois além de chegar inteiro e não precisar se preocupar com a bagagem, o avião dá uma volta aérea no Salar... essa volta por si só já valem os 100 dólares.

     Alyne:

              Se você estiver pensando em economizar, o trecho de ônibus não é o fim do mundo. Dá pra ir dormindo tranquilo, desde que você esteja bem preparado pra enfrentar as temperaturas mega negativas durante a viagem (pegamos temperaturas próximas a 15º negativos). Os ônibus são bons, tem calefação e oferecem cobertor e comida, além do banheiro. Há também o ônibus sem comida, que faz uma parada de 15 minutos numa lanchonete no meio do caminho. Detalhe: a calefação do ônibus ajuda, mas não resolve totalmente. Então, colega, vá agasalhado, senão vai passar aperto mesmo. Pra quem está sem tempo e tem uma graninha extra pra gastar, vá de avião.
 
UYUNI – SUCRE

Fomos de avião. Excelente escolha. 


Só a empresa TAM (não é Tam Brasil rs) faz o trecho. 34 dólares. Vale muito a pena. Vôo rápido e tranqüilo, ainda dá pra ver o Salar de cima!! Fantástico!

     Alyne:

              Ahhhh, mas peraí. Meu amigo, prepare-se pra enfrentar um avião bem assustador! Só pros desavisados, é um avião antigo de verdade, de hélices e que faz um barulhão medonho quando vai decolar. Muita turbulência, já que o trecho é relativamente curto e o avião não voa tão alto assim. Mas mesmo assim, vale a pena. Poupa MUITO tempo e é barato. Dizem que este mesmo trecho é horrível se feito de ônibus, já que as estradas nesta região são horrorosas. Vá de avião. É feio, dá um medinho, mas é mil vezes melhor.

 SUCRE – SANTA CRUZ

Valor do trecho: 35 dolares (pela Aerosur). Igualmente, trecho bem tranqüilo, não houve problemas. Recomendo demais.



TRANSPORTE RODOVIÁRIO

O transporte  rodoviário na grande maioria das vezes é feito por vans decoradas. Fomos pra Sorata de van. 17 Bolivianos por pessoa e mais 17 para que nossas malas fossem dentro da van e não em cima.

Total: 51 Bolivianos, ou um pouco mais de 12 reais pra cada. Muito barato, são cerca de 3 horas de viagem a ida e 4 horas a volta.

Várias montanhas de neve e ruínas na paisagem. 


A descida pra Sorata é RADICAL. Pense em radicalismo. Agora aumente esse radicalismo em 10 vezes. Pronto, você já sabe o tipo de estrada que vai encontrar.

 

As vans são cansativas. Quando voltamos pra La Paz, depois de 4 horas de viagem, estávamos MUITO cansados e ainda precisamos dormir em dormitório. 


Foi bom para eu poder te dar essa dica. Você que tem mais de 20 reais pra gastar por dia, NÃO DURMA EM DORMITÓRIOS, por mais que o hostel seja bom. Não CONFUNDA. Hostels podem ser excelentes, muito melhores que hotéis, desde que seu quarto seja reservado. A diferença de um quarto privado é 4 ou 5 reais. Então, não pense duas vezes. Nós dormimos no dormitório dada a emergência da situação. Temos que estar preparados pra isso, mas é bom evitar ao máximo. Precisar acordar as 7h da manhã no dia seguinte e ter gente entrando e saindo toda hora do quarto é um saco! 

Alyne:
             Quanto a isso, é indiscutível: quarto privado. Nada justifica a economia de ficar em dormitório. Foi a parte mais tensa da viagem. Nos deixou mau humorados e ainda me fez esquecer a câmera no dia do paragliding! Então, só vá pros quartos coletivos se estiver na dureza mesmo.









3 de agosto de 2011

UYUNI

Entre o céu e e terra, cobrindo o horizonte, um espelho de água sumindo de vista nos dá a sensação de estarmos andando sobre a água. E, de fato, estávamos. É possível, apenas parcialmente, por meio de vídeos e fotos, ter uma noção da grandiosidade, do detalhismo desse lugar. De fato, independente das nossas crenças, esse lugar ajuda a exteriorizar o que há de melhor em nós. É um presente de Deus. Sem exageros e seguramente, o mais suntuoso e gracioso lugar natural que já estive na vida.


O clima e a ausência de umidade de fato desencorajam a existência de vida em Uyuni. Mas ali, com mais de 600 anos de idade, imponentes cactus sobrevivem às mais severas condições para sua sobrevivência. Não existem registros da existência de outros cactus na Bolívia. É mais uma grande demonstração da força da vida. Ao invés de tentarmos desvendar os comos e os porquês, senti que valia mais a pena apenas curtir o momento, apreciar a paisagem.


Naquele meio pude, pela primeira vez, entender que realmente uma simples paisagem pode possuir forte valor terapêutico.

*** Nesse post eu incluí várias fotos com a câmera da Alyne, que retrata com um pouco mais de justiça a beleza do lugar.



O Salar de Uyuni é imenso. IMENSO. E magnífico. Para quem possui maior sensibilidade, a sensação de estar em um mar de cristais toma conta do corpo e da alma. Dormir em um hotel de extremo bom gosto feito totalmente de sal acelera a limpeza de qualquer organismo.

Vá lá e verifique por si mesmo. Eu recomendo. Se você não sentir nada, e além disso não gostar do salar, não perca seu tempo lendo o que eu escrevo. Funcionamos em diferentes frequências. Cada um tem sua sintonia.

São alguns quilômetros em um Jeep 4x4 até chegarmos a um hotel NO MEIO do salar, que mais funciona como restaurante e ponto de parada das excursões. Nada de interessante na loja de souvenirs. Depois de passarmos o hotel, começamos a perceber a imensidão do lugar. São 70 km para chegarmos até uma das 15 ilhas que ficam dentro do Salar. Para quem tiver alugado um carro, existe a opção de aventurar-se por mais 100 km nesse mar de sal.


Em alguns trechos, o Salar ocupa o horizonte em sua totalidade. É de tirar o fôlego.

De chorar. Eu jamais imaginei que escreveria isso para descrever um simples lugar. E estou certo. Afinal, de simples o Salar de Uyuni só tem a aparência.


Ao chegarmos à ilha, pagamos uma taxa irrisória e passamos a explorá-la e aproveitar o tempo para tirarmos algumas fotos. Talvez essas tenham sido as melhores fotos que tiramos nas nossas vidas. Confiram e comentem. Gostaríamos muito de ter ficado um pouco mais para ver o pôr-do-sol. Futuramente, comentamos o quanto vale a pena alugar um carro por aqui. Ainda assim, conseguimos ficar no salar até o final do dia. E QUE DIA!

Em nossa excursão havia pessoas de vários países.


Infelizmente, colocaram eu e a Alyne no mesmo comboio, mas em carros separados. Ficamos juntos a maior parte do tempo. Mas o grupo, em ambos carros, não socializou muito. Ninguém era especificamente chato. Eu creio que na verdade quase todos chegam MUITO cansados ao Salar. O trecho de avião existe há apenas duas semanas. Eu e a Alyne, por exemplo, fomos de ônibus. Minha conclusão é que vale a pena ir de avião. Não é muito caro. Vale a pena.

Ao voltarmos pro hotel, pegamos um finalzinho de dia de impressionar o olho mais desatento. A cada fração de segundo, os efeitos nos surpreendiam ainda mais. Inesquecível.

Durante a noite, o frio era de lascar. Certamente Uyuni foi o lugar mais gelado que já conheci. O termômetro marcou 14 graus negativos durante a nossa estadia. O dia é menos castigante, com temperaturas acima de 0 grau. Na verdade, a experiência é tão intensa que quase não dá tempo de perceber o frio. Quando menos se percebe, as mãos e os pés já estão congelados.

No dia seguinte, após um excelente café da manhã, seguimos viagem, dessa vez para Sucre, nosso ponto de repouso e última parada. Depois de Uyuni, não tenho mais expectativa nenhuma. A viagem já valeu a pena demais. Mas tenho uma pequena impressão de que muita coisa ainda nos aguarda...

Alyne:
Pra ser sincera, não tenho muito o que falar a mais do Salar. Definitivamente, foi a coisa mais linda que eu já vi na vida!


Meus olhos ficaram cheios de lágrimas o tempo quase todo, tão lindo que é este lugar. A impressão que dá é que estamos sonhando, porque não é possível um negócio desses existir. Mas existe. E é a coisa mais surreal do mundo.


O passeio que deu tempo de fazer foi só a parte do Salar (tour de 1 dia), já que estávamos sem tempo e também uma das rotas estava interditada (tour de 3 dias), já que nevou recentemente e ainda não havia acesso. Sinceramente, ainda vamos voltar lá pra fazer este tour, que leva às lagunas coloradas. Dizem que são espetaculares...
Como o Fábio já disse, essas horas que passamos no Salar valeram toda a viagem. Indescritível!

26 de julho de 2011

PARAPENTE


Ao sair de Sorata, com muita dificuldade, conseguimos entrar em contato com o instrutor de Parapente, ou Paraglide, termo em inglês que eles gostam de utilizar, para confirmar nossa presença na manhã do dia seguinte.

Chegamos em La Paz, e tivemos uma péssima noite de sono. Mas dos males o menor. De Sorata, foi difícil entrar em contato com o hostel em La Paz para confirmar mais uma noite antes de partirmos para Uyuni. Havia somente 2 camas em dormitório. Durante a noite, havia uma festa a fantasia no hostel, e não deu para dormir quase nada. Até então, foi nossa pior noite de sono.

No entanto, foi ótimo para perceber como estávamos dormindo bem em quartos privados, e para lembrar como vale a pena ter um pouco de privacidade. Além disso, vimos várias pessoas chegando de mochilas na recepção e deixando o hostel decepcionadas pela falta de vagas. Essas pessoas estavam implorando para dormir mal. Nesse momento me veio a luz de que, realmente: antes dormirmos mal que não termos onde dormir. Mesmo porque, com todo o barulho, nosso banho foi excelente, os lençóis eram limpos e as camas razoavelmente espaçosas.

Acordamos ás 7 da manhã, e, com muita pressa, tomamos banho e arrumamos a mala num espaço recorde de meia hora. Nos buscaram. No caminho, buscamos os demais aventureiros. Um brasileiro de Minas, o Evandro, e três australianos: o Tom e as duas Hannas.

Por sorte, nosso instrutor parou em uma “padaria” para comermos alguma coisa. Depois de alimentados e muito mais bem humorados, nossa aventura começou.

Não estou exagerando nem um pouco ao dizer que a parte mais perigosa da viagem é chegar até o topo. Aliás, na Bolívia anda-se por estradas extremamente perigosas aos olhos de um brasileiro. O mais espantoso é saber que não existem registros de acidentes há vários anos na maioria desses trechos absurdamente perigosos.

O caminho, extremamente íngreme, irregular, sinuoso e estreito, deixa a ideia: O QUE É QUE EU TÔ FAZENDO AQUI? MÃE, ME PERDOE. rs. Mas é isso mesmo. Depois de um tempo a gente até “acostuma”, mas ainda assim eu não seria capaz de subir aquilo sozinho. Depois de 20 minutos de bastante agonia, chegamos ao topo. A partir daí, a viagem estava muito mais segura, eu pensava.


A Alyne foi a primeira a se aventurar. Na primeira vez não deu.






O instrutor, precisando frear, parou na boca do penhasco. Depois dessa viagem não duvido de nada que a Alyne me fale que tem coragem de fazer. Posso até duvidar de mim, mas dela não duvido mais. Eu GELEI. Mas enfim, com tranquilidade, tentou de novo, e voou muito, muito alto, e muito, muito longe, em um vôo tranquilo que durou vários minutos.

Fiquei esperando o restante do pessoal e fui o último a pular. Peguei uma corrente quente bastante forte, e especulo que devo ter subido mais de 400 metros do local de decolagem. Tanto que o Hugo, nosso instrutor, me deixou pilotar o Parapente por vários minutos.






O vento estava muito bom, tanto que, para descer, foi necessário ele forçar a descida do Parapente.

O passeio é, senão a melhor coisa que já fiz na vida, uma das melhores. Aliás, estou sendo realista ao dizer que essa foi a melhor viagem que já fiz na vida. Surpreendentemente, umas das mais baratas.






O vôo de Parapente é MUITO suave, seguro e tranquilizante. É possível comandar o equipamento na direção desejada e, se o vento estiver bom, é possível continuar no ar por várias e várias horas.
Se houvesse mais vento em Brasília, certamente faria parte da minha rotina. Vale a pena DEMAIS.

Nunca tive a sensação de flutuar no ar dessa forma. É como estar solto no ar, tocando a música do vento, direcionando a música de acordo com nosso desejo e até onde o vento permitir. Não me deu medo. Não me deu enjôo.


Esse foi um dos melhores dias da minha vida.


Era aniversário da Alyne e, portanto, fomos comer em um bom restaurante em La Paz. Comemos como reis, em um restaurante tailandês chamado Thai Palace, que fica na rua do Mercado de las Brujas. Satisfeitos, fizemos umas últimas compras de algumas besteiras, e, extremamente satisfeitos, porém cansados da noite anterior, seguimos para a rodoviária, onde pegamos um ônibus para Uyuni, nossa próxima parada.

Alyne:

Não preciso nem dizer que este foi um dos melhores presentes de aniversário que ganhei na vida... A experiência do paragliding é uma coisa sem explicação. Realmente, a parte mais perigosa é subir pela estradinha que chega até o ponto de partida, e os bolivianos ainda dizem que as estradas daqui não são perigosas! Tudo bem que o índice de acidentes daqui é ridículo, apesar do trânsito ser caótico em vários lugares, mas só sei que deu um certo medo chegar até lá.

A primeira vez que fui tentar o salto deu errado, porque não tinha muito vento pra subir o parapente e eu não consegui correr direito, já que é MUITO pesado e o instrutor era 3 vezes o meu tamanho. Aí tive que repetir e a segunda vez foi show! O Fábio fica tirando onda que pilotou o parapente dele, mas o Hugo também me deixou pilotar, ora... E ainda disse que sou boa piloto! (hahahaha). Mas, brincadeiras à parte, foi uma das melhores experiências da minha vida. Vale a pena demais. A visão lá de cima é incrível! Não faz tanto frio, é super tranquilo e senti total segurança. Maravilhoso!

Pra terminar a comemoração do meu aniversário, teve este restaurante tailandês.



A gente fica meio com medo de comer na Bolívia, mas vou te dizer que comemos bem pra caramba! O negócio é não comprar essas comidas de rua que ficam expostas a tudo. Os restaurantes, no geral, são bem ajeitados, limpos e as comidas são boas mesmo. Fora a decoração, que é bem legal também. Os pratos que pedimos estavam maravilhosos! E o melhor de tudo é que a nossa conta ficou em 140 Bs (o equivalente a R$ 35,00 pra nós dois). Agora tô na expectativa de comer salteña, um salgado típico daqui com recheio de carne e um molhozinho que dizem ser uma delícia. A primeira que eu comi, no shopping de La Paz, foi um desastre... Vamos ver como vai ser a próxima.

25 de julho de 2011

SORATA



Depois de curtir os primeiros dias em La Paz, aclimatar e conhecer as incríveis ruínas de Puma Punku, seguimos viagem. Fomos à Sorata, uma pacata vila de agricultores localizada em meio às montanhas próximas à La Paz. Foram dias muito intensos e que exigiram muito de nós. Talvez tenha sido o ápice de aventuras radicais da nossa viagem. Resolvi priorizar o registro do dia mais desafiador de toda a nossa viagem, e um breve relato sobre a gruta que visitamos... segue o relato. Espero que gostem.

TREKKING EM SORATA É EUFEMISMO. CORRETO É ALPINISMO.

Após jantarmos muito bem, tive um excelente sono. Acordei às 6h para organizar nossa excursão às montanhas nevadas, onde fica a Laguna Chilada. O guia que nos acompanharia ficou de nos encontrar às 8h.


O café da manhã do nosso Hotel também funcionava somente a partir das 8h. Eram 8 em ponto, e a pessoa que nos encontrou no hotel, de maneira extremamente amadora, disse que não havia tempo para passar uma manteiga no pão e ir comendo no carro. Depois de subir a montanha e verificar a irresponsabilidade dessa pessoa que nos buscou, percebi que na verdade fomos muito calmos diante do absurdo que estava acontecendo, a pressa diante de agendas inexistentes. Subir sem comer alguma coisa iria, pra dizer o mínimo, aumentar drasticamente as nossas chances de parar em um hospital (que não existe por aqui).

A pressa gerou estresse. Estressada, a Alyne esqueceu a câmera fotográfica. Felizmente, nesse tipo de viagem, uma mão lava a outra, e eu havia levado a minha câmera. Seria quase um crime não registrar esse dia que, composto por paisagens surreais, quase de ficção, e por momentos de teste que ficaram permanentemente registrados na memória.

Após bastante discussão, consegui fazer como que o taxista parasse para que eu comprasse dois pães. Ficamos bastante indignados com isso. O representante da agencia falava que não tinha 1 minuto para nos esperar e que precisava fechar vários outros contatos. Uma pessoa que diz ao seu cliente que não tem tempo pra ele pois precisa de outros clientes é uma pessoa sem clientes. É um amador, que não sabe que aquele turista daquele momento é a mina de ouro dele. Se ele fosse tão dedicado, seria o objeto que ele mais valorizaria. Mas não, era tudo balela e o mais puro amadorismo. Ao final do passeio, fui à agência solicitar que todo o valor pago fosse repassado ao guia. Nada mais justo.

Nos deixaram de taxi em um lugar perto da cidade. Daria para ter subido muito mais, mas o taxista simplesmente foi embora. Começou, a partir daí, um dos dias mais sofridos das nossas vidas. Um dia que testou ao extremo nossos limites. Um dia que começou mal, que nos testou de toda e cada forma possível, e que, ao término, nos deixou satisfeitos.

Eu jamais imaginei que seria capaz de escalar montanha acima por mais de 7 horas consecutivas montanha acima em uma altitude acima dos 4000m. E foi exatamente isso que fizemos.

Com pouca água, uma pequena mochila nas costas, quase nada para comer e sem saber a distância que percorreríamos, começamos a aventura. Subimos tranquilos os primeiros minutos. Após meia hora, já bastante ofegantes, começamos a parar. A Alyne me avisava que precisaríamos de paciência com ela, que parava cada vez mais frequentemente.


Após uma hora e já exaustos, me veio a ideia de aplicar uma técnica de disciplina que eu há havia aplicado várias vezes em treinamentos de natação e de cross country. Essa técnica consiste basicamente em dividir o objetivo maior em vários pedaços bem pequenos e, com várias pequenas pausas, chegar ao objetivo maior. No nosso caso, o topo da montanha, já coberto em neve. Na montanha Chilada.

Virei pra Alyne e pedi pra ela tentar dar cem passos. Deu certo pois fomos mais longe sem parar. Continuamos com essa técnica e progredimos bastante. O efeito psicológico de saber que um pequeno descanso, uma espécie de recompensa, está garantido após cem passos é enorme e ajuda muito. Evoluímos rapidamente.

Ainda assim, a montanha era muito alta. Foram várias horas até alcançar o final. Antes de chegar, ao invés de sentar, eu simplesmente desabava, deitava no chão, MUITO ofegante. A Alyne, após me ver fazer isso algumas vezes, também cedeu e deitou algumas vezes para descansar um pouco mais.


Em alguns momentos, tínhamos a sensação de que não conseguiríamos chegar. A cada esquina uma nova subida. Não havia fim. Mas continuamos com uma regularidade que me deixou bastante surpreso.

Após mais de sete horas, chegamos ao topo. A Alyne tirou um cochilo. Eu saquei algumas fotos e tentei descansar um pouco. A descida foi bem mais suave e, quando chegamos na base da montanha, pegamos um taxi de volta. Eu nunca fiquei tão feliz em pegar um taxi na minha vida.


Testamos nossas capacidades de lidar com um estresse e cansaço extremos. A volta foi recompensadora, pois na descida é possível apreciar muito mais a paisagem. Aliás, Sorata possui uma das mais belas paisagens que já vi. Esse país é de tirar o fôlego. O relevo é extremamente radical.

Na memória, fica o registro da superação. Nosso dia foi muito difícil. E foi um enorme sucesso. Até agora não entendi como a Alyne conseguiu subir aquilo tudo. Nem eu.


Me lembro que falava repetidas vezes o quanto eu gostava de helicópteros. Que eram a invenção mais brilhante da humanidade, que ia aprender a pilotar.... rsrsrsrsrs.. Valeu muito a pena. Só não me chame pra fazer isso de novo. É muito provável que eu não vá aceitar.

Alyne:
Realmente, nem eu entendo como foi que eu cheguei até a laguna. Eu nunca tinha feito um trekking desses e realmente acho que não tenho preparo para isso. Mas a vontade de chegar até lá era tanta que eu não me permitiria desistir de subir. Na verdade, cheguei a cogitar a ideia vááárias vezes, mas tentei ser mais forte. Agora, que foi a coisa mais difícil que fiz, isso foi. Entretanto, como já foi dito, totalmente recompensador. Simplesmente maravilhoso!
Sorata é, definitivamente, um dos lugares imperdíveis da Bolívia. As paisagens de lá são assustadoramente lindas (fora a aventura que é chegar à cidade, já que a estrada é uma das mais perigosas que já vi! Confesso que fiquei com um medinho...).
Um comentário que não posso deixar de fazer é sobre o lugar que ficamos. Altai Oasis. Simplesmente uma das pousadas mais legais que eu já vi. No meio das montanhas, paisagem maravilhosa, arquitetura rústica e lá mesmo tem um restaurante fan-tás-ti-co! Inacreditável! Comemos a melhor comida da Bolívia (e o melhor suco também!), além do que, o spaghetti Alfredo (molho de creme de leite, alho e cogumelos) que comemos lá foi o melhor das nossas vidas... e mais, por 10 reais!



Definitivamente, valeu MUITO todo o sacrifício. E pretendo voltar lá pra fazer o trekking até a Laguna Glacial, um laguinho que fica no meio da neve. Mas dessa vez, montada numa mula!


CUEVAS SAN PEDRO

No dia seguinte, não conseguimos acordar muito cedo.


Ainda cansados, tivemos que reorganizar o roteiro da nossa viagem. Para podermos desfrutar da melhor experiência de nossas vidas, sacrificamos o Lago Titicaca. . La Paz nos esperava novamente. Dessa vez, iríamos voar na cidade. Andar de Parapente pela primeira vez na vida foi como nascer de novo.

Ainda assim, tivemos tempo para conhecer as Cuevas de San Pedro. Muito legal, vale a pena para quem tiver tempo. Mas não se iluda. Quando o assunto são grutas, em termos de beleza, suntuosidade e peculiaridade, não existe nada comparado ao Brasil.

23 de julho de 2011

LA PAZ


Se você ainda idolatra cegamente o eixo Londres-Paris-Nova Iorque, visite uma Barnes & Noble na Madison Square Garden e descubra um pouco mais sobre a Bolívia. Se depois disso, seu interesse por esse país aumentar, se prepare, pois essa pode ser uma das melhores viagens de sua vida. No sentido realista da palavra.

Economicamente, La Paz é uma cidade de contrastes. Na Zona Norte, coração caótico, barulhento e surpreendentemente funcional, tudo acontece. Governo, universidades, comércio, igrejas, museus, quase tudo se encontra por aqui. Ficamos nessa região.




CENTRO
Esse é o eixo do país. Zona barulhenta, movimentada e caótica, se parece muito com o centro do Rio de Janeiro, por exemplo. Prédios históricos completamente restaurados lado a lado com prédios do mesmo gabarito mas completamente abandonados, compõem a paisagem, misturados com prédios comerciais no baixo relevo dessa zona, e às edificações que parecem não ter fim ao longo das montanhas que delineiam a cidade. Seria a cidade ideal para um sistema de teleféricos. Mas não tem. Se me perguntar por que, vou te responder: pelo mesmo motivo que o Brasil praticamente não possui ferrovias. Enfim, quando estiver por aqui, ande de táxi. São muito baratos, além de ser uma boa oportunidade de interagir com um local. Não coma em qualquer lugar. Os relatos de diarreia são nitidamente resultantes da extrema falta de higiene de alguns lugares. O que mais me embasbacou foram as carnes, sendo vendidas expostas na rua, temperatura ambiente, a menos de um metro dos ônibus passando e jogando fumaça em cima das tendas o tempo inteiro. É inacreditável como alguém ainda paga para se alimentar de um lixo desse nível. Mas está aí a dica. Tenho a sensação que não precisaria nem dizer isso a um brasileiro comum. O nível de higiene médio de um brasileiro é muito elevado, talvez o mais elevado do mundo, por incrível que pareça.

Alyne:

Resumindo: muvuca, mas culturalmente mais rica. Cheia de Cholitas (e mendigos também). Diversidade absurda. É a parte que caracteriza de verdade La Paz.

ZONA SUR
Um pouco melhor situada em se tratando de aspectos econômicos. Suas qualidades e potencial turístico começam e terminam por aí. A Zona Sur possui prédios comerciais de luxo, casas bonitas, e o melhor shopping da Bolívia, com várias salas de cinema, etc. Abriga boa parte dos ex-expatriados bolivianos. Uma casa estilo Lago Sul (Brasília) com 5 quartos pode ser alugada por 800 reais ao mês. Fui com a Alyne a um Supermercado nessa região, para tentar encontrar itens peculiares ao país. Surpreendentemente, quase todos os produtos encontrados eram praticamente os mesmos de um supermercado no Brasil. Obviamente, o Brasil possui uma variedade de produtos bastante superior. Frustrados, mas esclarecidos, voltamos para a Zona Norte, depois de curtir um cineminha (Harry Potter) para não perdermos a viagem.

Alyne:

Resumindo: chique. Quase não se vê Cholitas (as senhoras com seus trajes típicos bolivianos e seus chapéus côco de ladinho) e é mais organizado.



MERCADO DE LAS BRUJAS
Quem avisa amigo é: THIS IS A TOURIST TRAP. Se puder comprar casacos em outro lugar, seu bolso agradece. Em relação aos objetos de prata, se conseguir visitar Potosí ou Sucre, salve seu bolso e compre por lá. Somente compre no mercado Las Brujas se você estiver sem tempo e com dinheiro de sobra.

Alyne:
É um dos mercados mais variados que já vi. Vendem de feto de llama (sim, é verdade) a pratarias maravilhosas. Mas realmente, o preço não é lá essas maravilhas. Tem restaurantes legais intercalados às tendas e vimos bastante coisa interessante também, como o museu de coca, que não deu pra gente ir. Esta é a parte que reúne os artesanatos de La Paz. Concordo com o Fábio, totalmente “tourist trap”.


FEIRA DE ELETRONICOS ELOY SALMON
Essa feira de eletrônicos fica localizada perto do mercado das bruxas. Mas a subida é tão íngreme que vale a pena pagar 1 real e salvar seus pulmões. Essa feira sim é uma verdadeira barbada. Os preços dos eletrônicos por aqui são mais baratos que os do Freeshop. E são originais. Eu gostei muito mais desse mercado que do mercado das brujas, por exemplo. Talvez eu esteja exagerando, pra você ficar ligado. Voltando aos eletrônicos, se vier pra Bolívia sem câmera, não compre no Brasil. Você vai se arrepender.

Alyne:

Ê gente, bendita a hora que eu resolvi esperar pra comprar minha câmera na Bolívia. Meu pai (que já veio à Bolívia algumas vezes) já tinha me alertado quanto aos preços daqui, que são muito melhores. Dei uma passada de olho numas câmeras no freeshop e uma meio peba estava sendo vendida por U$ 270,00. Liguei pro meu primo Bruno, que mexe com fotografia, e ele me disse que não valeria a pena. Na Eloy Salmon eu encontrei uma câmera compacta violenta por quase o mesmo preço desta outra que tinha visto. Vale MUITO a pena dar um pulo por lá. Não é insuportavelmente cheio e tem tudo de eletrônicos. Os preços de lá são equivalentes aos encontrados nos EUA.






22 de julho de 2011

PUMA PUNKU e TIWANAKU



A impressão que se dá quando caminhamos é que existe muita coisa abaixo dos nosso pés. Essa impressão beira a certeza. Vou tentar repassar uma fração do que realmente aconteceu com a gente por ali. Espero que gostem das fotos.

São duas horas de viagem até chegar ao sítio arqueológico dos Tiwanaku e às ruínas de Puma Punku. Não se esqueça de creme hidratante, protetor solar e do chá de coca! Esquecer um desses itens pode de causar transtornos grandes o suficiente para acabaram com sua viagem precocemente.


Chegando lá, o local fala por si só. Eu poderia fazer você ler um livro, escrever dez páginas nesse blog, e ainda assim eu teria sérias dificuldades em comunicar a suntuosidade, a beleza, a riqueza e os incríveis segredos soterrados por ali.
No caminho para Puma Punku, encontramos um mochileiro equatoriano, bastante simpático e viajado, que nos acompanhou durante boa parte da nossa viagem por lá, o Fernando.

Quando chegamos, conseguimos (leia-se: o Fernando conseguiu) barganhar um guia para nós três e mais três turistas chilenas. O grupo foi bastante agradável. O guia dispensa melhores comentários: era um boliviano de raiz.

Bom, vou passar aqui um vídeo para que tenham uma noção geral sobre o assunto:


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Se Tiwanaku é legal, para quem se interessa em civilizações antigas, Puma Punku É ASBURDAMENTE INCRÍVEL. Curiosamente, é pouco visitado, assim como os melhores sítios egípcios também estão um pouco fora da rota.


A principal Pirâmide de Tiwanaku tem diversas camadas. Cada camada é feita de uma pedra específica e cada pedra tem sua função. Mas a aventura mesmo começa quando o nosso guia local, o Hernando, tira uma bússola do bolso e começa a discorrer sobre a energização das pedras sagradas no local. Acompanhe o vídeo e preste atenção na bússola. Só não me perguntem como eles energizaram essa pedra, ou como ela ainda está energizada após milhares e milhares de anos.
Depois disso, o queixo começa a cair de verdade. Explicando sobre astronomia, ele saca um pequeno espelho do bolso e, na maquete do lugar, começa a demonstrar os incrível cálculo de engenharia e arquitetura do local. Usando o sol, ele mostra os porques do posicionamento de cada portal e cada monumento. Um turista desavisado criticaria a marca do espelho dele ao invés de focar a atenção na magnitude daquilo. É um passeio para um público específico. Aliás, a Bolívia não é pra qualquer um. Não no sentido de renda, mas sim no sentido de “mindset”.

Voltando, a visita continua na demonstração de um templo que possui várias cabeças esculpidas, até aí a parte menos interessante. Depois de algum tempo, o queixo desaba novamente: começa a explicação sobre o domínio sobre a acústica daquela antiga civilização. Em alguns minutos, o Hernando se aproxima de uma pedra com um aparente furo e começa a falar. A voz dele se espalha pelo lugar inteiro. SHOW. Ele explica que a função daquilo era ampliar o som mesmo. E era muito utilizado nos rituais sagrados, em dias específicos de equinócio e solstício, para facilitar o ingresso daquele povo, naquela hora, no que eles chamam de “quarta dimensão”.


Ele nos informa que esse ritual era acompanhado de ervas sagradas, músicas específicas, orações específicas e timbres específicos. Não cheguei a perguntar mais a fundo, porque não havia tempo. Não há novidades quanto ao ritual sagrado xamânico, mas a tecnologia envolvida é que agrega valor a tudo aquilo. E, pra completar, o lugar é absolutamente inóspito. Para um brasileiro, quase inconcebível uma pessoa pensar em habitar aquele lugar por 1 semana. Quem dirá por milhares e milhares de anos.



Depois do passeio, seguimos para o museu que dispõe de peças de cerâmica antigas e de um incrível crânio alongado.

Durante a escavação de Puma Punku, diversos esqueletos foram encontrados. Esses esqueletos se pareciam com o de um humano normal, exceto pelos crânios, bastante maiores. Alguns cientistas defendem a tese de que alguns desses seres possuíam esses crânios alongados naturalmente, enquanto outros, para imitar, forçavam o esticamento de seus crânios. Pense em uma mulher com belos seios e uma outra com silicone, tentanto imitá-la. Sucesso estético, porém sem conteúdo. Um tipo de farsa. Então, mesma ideia.

Esqueletos do mesmo tipo tambem foram encontrados no Peru, conforme pode ser verificado no video abaixo:
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FORMAS GEOMETRICAS PERFEITAS

Ao passar a mão nessa pedra esculpida há mais de 17 mil anos, é possível perceber a delicadeza, precisão extrema e a façanha tecnológica de Puma Punku. As esferas, após dezenas de milhares de anos, estão absolutamente perfeitas. É inacreditável.

Alyne:
Para o Fábio, a parte mais interessante do passeio foi o fractal esculpido em um dos blocos que vimos por lá. Pra mim, foi este bloco. É simplesmente surreal a proporção dos furos, milimetricamente posicionados, as linhas que acompanham os furos (são retas perfeitas), e o bloco tem as arestas também perfeitas. Estava andando e olhando pro chão, procurando os blocos mais interessantes, quando o encontrei. E, sinceramente, para mim este é o que mais simboliza a dimensão desta civilização.



FRACTAL

Andando em meios às ruínas, que estão por toda parte, eu me deparei com o que considero o maior achado da viagem. Sobrevivendo após todo esse tempo, Havia um fractal esculpido na pedra. Um fractal! O fractal é o símbolo mais sagrado do Egito antigo. É utilizado em diversas teorias científicas, com diversas finalidades práticas. A sequencia gráfica de fibonacci é representada graficamente por um fractal, como todos sabemos.


Depois de ter uma ideia sobre o domínio dos Tiwanaku sobre a acústica e o magnetismo, pude perceber que, em Puma Punku, perto dali, possivelmente encontra-se a origem de todo esse conhecimento. É realmente incrível. Nesse sítio existem provas e evidências que esse povo, muito mais antigo que os Incas ou os Egípcios, possuiam uma técnica e sabedoria com padrões extremamente elevados. Não seria exagero dizer que possivelmente o domínio que possuíam sobre a astronomia e o magnetismo fosse mais avançado que o da atualidade.



PORTAL
Outro escombro de um imponente monumento é o portal do sol. Confira nas fotos só desenhos nele contidos. Existe certamente uma simbologia sagrada em cada um deles. Os guias sequer se atrevem a falar não só sobre o portal como sobre todo o sítio, tamanha é a complexidade é falta de conhecimento sobre o assunto. Ainda há muito a ser escavado. Pedaços de Diorite esculpidos pesando dezenas de toneladas estão fincados no chão. O Indiana Jones que me desculpe, mas se ele não chegou a conhecer Puma Punku, não ficou sabendo da metade dos segredos sobre as grandes civilizações antigas das américas.

20 de julho de 2011

EL FUERTE


Para aproveitar minha estadia em Santa Cruz, resolvi adicionar o passeio mais relevante daquela região ao meu roteiro: as ruínas de El Fuerte, em Samaipata. O nome, apesar de espanhol, foi construído há mais de 3 mil anos pela civilização que habitava a Bolívia àquela época. Esse centro urbano antigo, misterioso e muito interessante foi posteriormente dominado pelos Incas e, por último, pelos espanhóis.


Cheguei ao passeio com outros quatro brasileiros, um grupo do Mato Grosso que estava hospedado no mesmo hotel. Demos boas risadas juntos. Boas companhias...

Segue um breve relato dos principais pontos do passeio, acompanhado das fotos que consegui tirar no primeiro dia da viagem;


O TOPO
As imagens mais misteriosas, intrigantes e famosas de Samaipata são enormes esculturas lapidadas no topo da principal pedra do complexo arqueológico. Segundo o guia, a principal delas é o puma, que pode ser observado em formato de círculo. Outros desenhos podem ser observados, e o olho de um observador detalhista certamente colabora pra um maior proveito sobre o passeio. Realmente é muito grande, fora da rota principal de Machu Picchu, mas nem por isso deve ser desprezado. É uma obra de arte que coroa um enigmático conjunto de construções milenares, suntuosas e que deveria ser um pouco melhor divulgada e conhecida...


TUMBAS
Descendo o sítio, nos deparamos com uma incrível sequência de aberturas nas paredes do monumento central. Segundo o nosso, guia, tais aberturas abrigavam múmias incas, e foram saqueadas pelos espanhóis. O curioso é que essas aberturas nas paredes datam de uma época anterior aos incas. O motivo original delas era desconhecido pelo guia.


ARENA
Um dos últimos lugares da visita ao parque foi a Arena de El Fuerte, local em que se concentravam as atividades políticas, militares, religiosas e artísticas daquele centro urbano. Acredita-se que Samaipata foi durante mais de 2 mil anos uma espécia de “capital de Província”, concentrando diversas atividades diferentes e resistindo no tempo à conquista de diversas civilizações. O complexo arqueológico como um todo é realmente impressionante. Grandioso, muito bem feito. A sensação quando andamos por ali, comum na Bolívia, é que estamos apenas arranhando a superfície de algo muito grandioso. Uma história encantadora, porém incompleta e misteriosa, que ainda deverá um dia ser melhor compreendida, conhecida e compartilhada.

 

SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO
Outro incrível registro deixado por esses povos antigos é o sistema de irrigação desse centro urbano, que após milhares de anos de transformações permanente imponente e praticamente intacto à ação dos homens e da natureza. Eu tentei capturar em algumas fotos essa façanha. Sei que a maestria da engenharia de irrigação já é bem conhecida, mas resolvi deixar o registro... Certamente é um fator de destaque nas ruínas e colabora pra aumentar o brilho desse excelente passeio.


 


18 de julho de 2011

PRIMEIRAS IMPRESSÕES



A Bolívia realmente é uma país digno de nota. Em pleno século XXI, cercado por países essencialmente capitalistas, estando aqui a impressão é que estamos do outro lado do mundo. O Diogo, que conhecemos por aqui, discorda de mim dizendo que o Egito sim é diferente. Mas como quem apela perde, eu mantenho a minha frase. As pessoas são MUITO tranquilas em média, uma tranquilidade quase meditativa, que não se modifica dependendo do status social de cada um. Os bolivianos são muito simples, e te tratam bem não porque você é turista, mas porque você é um ser humano. Um treinamento de bom atendimento ao turista não cabe por aqui.


As pessoas são “easy going” entre si, você sai beneficiado de rebarba. Mas não confie ao extremo nessa tranquilidade. Eu mesmo, quando pedi pra tirar uma foto com uma senhora em La Paz, em local absurdamente turístico, levei uma patada. Não achei ruim, foi bom para não começar a cair na falsa impressão de que bom mesmo é a casa do vizinho.



Muitas mulheres aqui se vestem como seus antepassados. São chamadas de Cholitas. Muitas delas parecem estátua. Ficam o dia inteiro olhando pro ar, sem fazer nada. Algumas são comerciantes. Não vi nenhuma motorista, taxista, guia. Os homens por aqui trabalham muito mais, tenho a impressão. Mas não sei se eles se sentem sobrecarregados. Acho que não. Um adendo que achei interessante: aqui há muita pobreza, mas não vi prostitutas. Bom, e estou falando de La Paz, a maior cidade de Bolívia, a que seria mais propensa a todos os tipos anormalidades de vivenciamos no nosso dia a dia em grandes cidades no Brasil.


Infelizmente, a falta de domínio da língua escrita resulta em quase todas as vezes em uma sociedade viva e que se desconhece. Contudo, tenho sérias dúvidas de que eles pudessem permanecer tão meditativos, pacíficos e naturais, caso estivessem imersos no mundo da escrita e da internet.


COMIDA

Ao contrário do que muitos falam, a comida aqui é boa. Assim como, por exemplo, no Rio de Janeiro, você tem que saber onde está comendo. Mas, com precaução, não terá nenhum problema em relação a isso.

Notas sobre o chá de coca para o brasileiro desavisado:
Em relação ao chá de coca, todos já sabem disso, mas aqui vai mais uma vez: não há perigo. Sente-se, peça um chá de coca, relaxe e siga viagem. Faça isso de preferência assim que chegar em La Paz. Não vicia. Não deixa louco. Mas, de fato, melhora bastante a respiração. Fica mais uma vez a dica. Tente pensar como um boliviano quando estiver por aqui. Pro seu bem.


TRANSPORTE


O transporte predominante é o rodoviário. Até agora só conheci o transporte urbano. Curiosidade: todos os carros são Toyota. Apesar de importados, são muito mais baratos que no Brasil. Com 16mil dólares você consegue comprar uma Hilux automática seminova. Bom, voltando às modalidades de transporte,viemos de avião, preço muito razoável, pela Aerosur. Sem problemas. Eu recomendo DEMAIS andar de avião nos principais trechos por aqui. O terreno é extremamente montanhoso, e o transporte aéreo é bom o suficiente para te transportar com segurança e rapidez.

Alyne:
Um adendo sobre o transporte: trânsito. Simplesmente ca-ó-ti-co. Quase não tem sinal e não vi nenhuma faixa de pedestre. Muitas vezes, atravessar uma rua é uma das tarefas mais difíceis da cidade. E o mais incrível é que a gente não viu acidente algum! Apesar do rolo que aprontam nas ruas, as pessoas se entendem! E outro pequeno detalhe, eles AMAM buzina. Definitivamente, é o item primordial dos carros bolivianos, além dos adornos presentes em todos eles.


O HOSTEL


O hostel que ficamos hospedados se chama Wild Rover. Excelente custo benefício. Tem página na internet. Eu recomendo.

Conhecemos dois brasileiros por aqui, de São Paulo, o Diogo e o Antônio. Aqui no nosso hostel tem um Pub Irlandês excelente, com preços razoáveis, ótima comida e, pra quem quer se divertir com segurança, o próprio hostel é suficiente. Não é balada, mas é mais que o suficiente pra descontrair um pouco no final de um cansativo dia.


Ficamos conversando por várias horas durante a noite sobre o Egito com o Diogo, que já morou lá e conhece as melhores barbadas. Ele inclusive estava lá durante a recente revolução... enfim, foi papo pra noite inteira. Soma-se a isso o fato de eu ser um egypt-o-fan de carteirinha. Fomos dormir por volta de meia-noite. Frio de lascar. Felizmente, o cobertor do hostel está muito bem preparado pra isso.